Entrevista

Ser mulher no segmento de transportes

A presença feminina no mercado de transportes e logística ainda é muito pequena. Alguns fatores acabam sendo grandes desafios para as mulheres motoristas, desde a estrutura ruim nas estradas, como o preconceito de alguns companheiros de trabalho. Para compor este tema tão importante, a convidada da vez é a Pamela Mendes, que é motorista na operação Citrosuco, há 9 meses. Veja qual é sua opinião sobre o cenário feminino em sua profissão:

O que te levou a ser Motorista de Caminhão?

Pamela – Foi o sonho de menina, junto com uma promessa que fiz a um amigo muito especial em minha vida. Ele me deu de presente de 18 anos minha primeira CNH, pois eu não tinha condições financeiras de adquiri-la. Então, prometi que a partir deste momento, eu iria chegar na categoria E e ser uma motorista profissional.

Como a sua família reagiu a essa escolha?

Pamela – Bom, eles sempre souberam do meu amor por motores de grande porte. Me acompanharam desde o início, mas não acreditavam muito que eu iria chegar a realizar o meu sonho. Quando eu disse que iria ter a primeira oportunidade de trabalhar como motorista carreteira na Morada, eles ficaram muito surpresos e orgulhosos ao mesmo tempo, pois sabiam que era um dos meus sonhos. Eu sou muito grata a Morada, por ter me dado a primeira oportunidade. Eu estava tentando, há dez anos.

Você já sofreu algum tipo de preconceito nas estradas por ser mulher? Como lidou com isso?

Pamela – O preconceito, esse aí, vai sempre existir, independente de onde estivermos. Já sofri sim, mas eu não me importo com o que dizem, entra por um ouvido e sai pelo outro. Porque eu sei, que nós mulheres, somos capazes de fazer o que quisermos e aonde quisermos, para mim a única vantagem que eles têm é a força física. O mundo tem que entender que não existe mais essa coisa de lugar de mulher é atrás de um fogão ou de uma pia de louça – somos capazes de muito além do que se imagina, é apenas uma questão de dar a primeira oportunidade. Lugar de mulher é aonde ela quiser.

Mesmo ainda sendo pequena, temos visto uma movimentação na quantidade de mulheres nessa profissão. Como você avalia a estrutura das estradas, postos e empresas que você visita? Eles estão prontos para te receber?

Pamela – Na verdade, muitos postos não estão preparados para receber as mulheres que precisam pernoitar, é mais complicado. Eu acredito que teria que ter mais recursos sim, por exemplo banheiros femininos para tomar banho, em muitos postos não tem e isso dificulta muito. Onde presto serviço, no meu ponto de vista, está sim, preparado para receber as mulheres.

Poderia citar uma mulher em que você se espelha e por que?

Pamela – Não é apenas em uma mulher que me espelho, eu me espelho em todas as mulheres que sofreram preconceitos, abusos, violências, desprezo pelo simples fato de serem mulheres e que hoje venceram e estão acima de tudo isso e de cabeça erguida, mostrando para o mundo todo que elas são mais que vencedoras e, muitas vezes, sem a ajuda de ninguém.
Sei que não são todas assim, mas as que conheci passando por isso tudo, eu me espelho ouvindo cada experiência de vida.

 

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